Arquivo do Blog, Intercâmbio

Au Pair – 5 coisas que as agências de intercâmbio NÃO te contam!

Hello! Quem aí já foi visitar uma agência de intercâmbio para saber mais sobre o programa Au Pair e voltou pra casa já querendo fazer as malas e embarcar imediatamente? Afinal, o que pode ser melhor do que morar nos Estados Unidos sem ter que se preocupar com gastos de moradia e alimentação, passar o dia brincando com crianças e ainda ser pago pra isso? Bom, a verdade é que não é bem assim. Nesse post vou contar os “problemas” por trás desse intercâmbio que a agência não te conta. Inevitavelmente esse texto vai acabar soando um pouco pessimista, mas a intenção não é, de forma alguma, desanimar alguém de fazer intercâmbio. Pelo contrário! Minha intenção aqui é te alertar para diferentes situações que você pode (ou não) enfrentar durante o seu ano de Au Pair para que você esteja preparado(a) e, assim, ter o melhor ano da sua vida. Vou listar aqui só os problemas, mas prometo voltar com uma lista só de coisas boas (que com certeza será bem maior que essa, por sinal).

1 – Muito trabalho para pouco salário

Considerando que você escolha o programa de Au Pair mais popular (porque tem outros onde você recebe um pouco mais e trabalha um pouco menos, mas é mais caro) você trabalhará até 45h semanais e receberá um salário fixo de U$ 195,75 por semana. Olhando assim até parece muito, mas não é, e eu posso provar! Primeiramente, a lei (em Nova York, não sei se se aplica para todos os estados) é que um indivíduo pode trabalhar até 40h por semana[1]; seu empregador pode até solicitar que trabalhe mais, mas qualquer coisa além dessas 40h são consideradas horas extras e por isso deve-se pagar 1,5x a mais do valor que você recebe por hora normal[2]. Em segundo lugar, digamos que sua hostfamily arredonde o seu salário para U$ 200,00 – a maioria faz isso – e que você trabalhe as 45h semanais; por hora você receberia U$ 4,44, que é praticamente a METADE do salário mínimo pago em Alabama, que é o estado com o salário mínimo mais baixo dos EUA[3]!! Não é a toa que tem um processo coletivo rolando aí onde milhares de ex-Au Pairs estão processando o programa (sem querer ser fofoqueira, mas já sendo)… Além disso, você recebe em dólar e gasta em dólar, então nada de fazer conversão! Se você sair pra jantar com as amigas e gastar U$ 40,00, já são 20% do teu salário da semana. Daí adiciona o valor do ticket de trem/Uber/gasolina, por exemplo, ou aquela brusinha (sic) que você está paquerando, ou a quantia que você precisa guardar pra fazer aquela viagem dos sonhos que custa quase um rim… e por aí vai!

2 – Dias de folga (dias off)

A regra é a mesma em todas as agências: como Au Pair você tem direito a um dia e meio de folga por semana e a um final de semana inteiro de folga por mês. Acontece que esse “um dia e meio” não necessariamente precisa ser seguido, muito menos precisa ser no final de semana; e o final de semana inteiro off não precisa acontecer necessariamente a cada 4 semanas. Vou explicar: Sobre o “um dia e meio”, seus hosts podem te dar a terça-feira inteira de folga, e depois a quinta-feira a tarde, por exemplo, daí você trabalha o resto da semana (incluindo sábado e domingo) até dar as 45h estipuladas pelo programa, de acordo com seu schedule. Não parece ser um big deal (grande coisa) agora, mas tenta combinar de sair com suas amigas Au Pairs numa terça-feira e depois me conta. Quanto ao final de semana inteiro, esse não tem jeito; precisa ser dois dias seguidos e precisa ser sábado e domingo. Ok, maaaaaasssss os seus hosts podem te dar o primeiro final de semana de março off, por exemplo, e depois te dar só o último final de semana de abril off. Ou seja, você pode ter que trabalhar por 6 finais de semana seguidos até ter seu final de semana inteiro off de novo. Se o seu “dia e meio” off são sempre no final de semana, isso não é tão ruim assim. Agora, se assim como aconteceu comigo, os seus “dia e meio” off acontecerem durante a semana, você está lascada(o)! Eu ouso dizer que isso foi o que mais me “pegou” psicologicamente durante meu intercâmbio. Eu basicamente vivia para trabalhar e passava meus dias off sozinha já que eram durante a semana e minhas amigas estavam trabalhando. Eu perdi muita festinha e idas à praia por conta disso, e acredito que tenha sido o principal motivo de eu ter me sentido tão deprimida durante muito tempo.

3 – Famílias Perigo

Se você está no Grupão de Au Pairs no Facebook você já deve ter visto algumas histórias bizarras de hostfamilies muito loucas. Eu já li relatos de meninas que os hosts acumulavam muita tranqueira e por isso a casa vivia bagunçada e imunda, já vi hosts que regulavam comida, casos de hostkids muito mimadas e mal educadas… Tem até o relato de uma moça cujo a família a obrigava dormir na garagem (mesmo durante o inverno) e não era autorizada a entrar na casa a noite, nem para tomar água ou usar o banheiro e, por isso, ela mantinha um recipiente na garagem para poder fazer xixi a noite caso precisasse. Uma amiga minha também descobriu (depois que já tinha se mudado para a casa da hostfamily) que a mãe das crianças tinha cometido suicídio na casa alguns meses antes e que o hosto mantinha um manequim ao lado da cama dele vestido com as roupas da mulher (eu testemunhei isso com esses olhos que a terra há de comer!). Acabou que ele se mostrou uma pessoa emocionalmente hiper-descontrolada e essa minha amiga acabou tendo rematch. Fora casos de hosts manipuladores, folgados, etc, etc, etc. Esse problema é mais relacionado à agência dos EUA (APIA, Au Pair Care), e pra mim eles ignoram isso simplesmente porque querem dinheiro, e o que dá dinheiro pra eles são as hostfamilies, não as Au Pairs. Já no caso da moça que tinha que fazer xixi no potinho, além da questão dinheiro, os hosts eram amigos dos donos da agência. É rabo preso que fala, né? A boa notícia, é que esse tipo de família é a minoria. Eu mesma tive uma família muito boa, e a maioria das minhas amigas tinham famílias boas também. Caso você ainda não faça parte de nenhum grupo no Facebook voltado a Au Pais, eu recomendo fortemente que encontre um e peça para participar. Quando as meninas do grupo identificam uma família perigo, elas geralmente postam as informações dessa família lá pra todo mundo saber e fugir para as colinas.

4 – Bolsa de estudos

Sabe aquele valor de U$ 500,00 que a agência falou que você vai receber para estudar? Então, não da pra nada. Estudar nos Estados Unidos é extremamente caro – eu até comentei brevemente sobre isso no post sobre a melhor idade para ser Au Pair. O máximo que você conseguirá fazer com esse valor é um módulo do ESL (English as a Second Language) ou algum curso básico de fotografia, pronúncia, culinária, Microsoft, ou algo do tipo. Eu acabei fazendo o ESL, e grazadeus (sic) eu fui direto pro último módulo (nível 5), então o valor foi o suficiente pra eu pagar a college e comprar os livros, mas se eu tivesse começado no nível 3, eu ia ter que usar o meu salário para poder pagar pelos módulos 4 e 5, conseguir me formar e receber o diploma. O ponto é: se você não estiver disposto(a) a gastar o seu suado dinheirinho com estudos, esquece aquele super curso que você estava pensando em fazer para voltar pro Brasil toda pimpona. Por outro lado, tem gente que tem sorte de cair em hostfamilies generosas que pagam para a Au Pair estudar o que quiser. Sonho meu!

5 – Visto para o segundo ano

Esse item nem é tão ruim assim. Sabemos que quando você estiver para completar o seu primeiro ano no programa (mais precisamente no oitavo mês), você vai receber uma cartinha com a opção de extensão ou de solicitação de vôo para voltar pra casa, certo? Caso decida ficar mais um tempo nos EUA, você pode estender o programa por mais 6, 9 ou 12 meses, mas independentemente disso, no seu segundo ano você não recebe um visto novo, eles apenas atualizam o seu DS para determinar que você está legalmente morando nos EUA. Ou seja, você não pode sair do país sob o risco de não conseguir voltar. Por isso, se o teu sonho é ir para o México, Bahamas ou aproveitar que ganha em dólar para ir à Europa, faça isso no seu primeiro ano! Ah, e a agência não te fala, mas quando você completa o seu primeiro ano de Au Pair com sucesso você tem direito a um vôo de volta pra casa a qualquer momento durante o segundo ano. Por isso, se você não sabe por quanto tempo mais você quer ser Au Pair, eu recomendo fortemente estender por mais um ano inteiro e, caso se arrependa, volte pra casa mais cedo com a passagem paga pela agência. O negócio é que você pode voltar mais cedo se estender por um ano, mas se estender só por 9 meses e mudar de ideia, você não consegue estender por mais 3 meses, entendeu?

Por hoje é isso. De novo: não se assuste com o que listei acima, apenas saiba que nem tudo são flores na vida de Joseph Climber (desculpa, eu não resisto lol – se você não “pegou”a referência, assiste esse vídeo aqui) e que pode ser que nem tudo saia como o previsto. Apesar dos pesares, eu gostaria muito que todas as pessoas do mundo pudessem fazer intercâmbio porque você passa a respeitar mais as diferenças e você fica MUITO FORTE! É superação atrás de superação! Vai, mundo!

Me conta aqui nos comentários se eu te assustei ou se é agora que você vai fazer intercâmbio mesmo! Desejo muito boa sorte no seu ano de Au Pair, curta muito, e espero que tudo aconteça da melhor forma possível! xoxo

13 comentários em “Au Pair – 5 coisas que as agências de intercâmbio NÃO te contam!”

  1. ola ,bom dia ,confesso que fiquei assustada ,nem tudo e flores mesmo ,se encontrar em outro país ,e muito preocupante, mais foi excelente suas explicações ,eu por exemplo não tenho mais idade ,para ser aupair,mais gostaria muito de ir aos Estados Unidos, sou cuidadora e acompanhe de idosos,não sei se entraria la , nem sei fazer a inscrição, para entrar , obrigado,foi muito interessante falar com você , obrigado,felicidades mil abraço , Elizabeth

    Curtir

    1. Oi, Elizabeth, obrigada pelo seu comentário. Morar em outro país, sem a sua família, já é difícil por si só, imagina quando as coisas saem muito diferente do esperado, né? Por isso que tem que pesquisar bastante antes de vir e se preparar psicologicamente para as barreiras que você possivelmente irá enfrentar. Eu não sei a sua idade, mas há vários programas de intercâmbio para os Estados Unidos para diferentes idades, e com tempo de duração diferente também. Há tempos que penso em fazer um post sobre isso, quem sabe agora eu não faça um?! Enquanto o post não sai, dá uma pesquisada no Google, você vai achar bastante informação, tenho certeza. Ah, e se você não quiser vir para os Estados Unidos exclusivamente, eu sei que na Europa dá para ser AuPair até os 30 anos! Boa sorte na sua jornada!

      Curtir

    2. Oi, Elizabeth! Eu super entendo porque eu também sempre preferi idosos a crianças. Inclusive todo mundo ficou chocado quando eu contei que iria trabalhar como babá, mas realmente era o único programa que eu poderia pagar na época. Eu confesso que subestimei a profissão e achei que seria mais fácil, mas não foi. Eu não recomendo vir como AuPair se você não tem afinidade com crianças. Eu nunca ouvi sobre um programa para cuidadores de idosos, mas tenho certeza que existem outros onde você não precisa lidar com crianças. Boa sorte na sua busca! 🙂

      Curtir

  2. 2 perguntas

    Estou em rematch e não encontro uma família decente, a agência precisa comprar passagem de volta para mim caso expire meu período com o perfil on-line?

    Caso eu queria ficar nos Estados Unidos e tentar o visto de turista, porém a agência já comprou minha passagem de volta, o que acontece se eu não pegar o avião e solicitar visto de turista?

    Curtir

    1. Oi, Isabel. Sinto muito que você esteja passando por isso. Que eu saiba, caso você não encontre uma família durante o rematch, eles precisam pagar o teu voo de volta sim. E se você ficar como turista mesmo após eles comprarem a passagem, não acontece nada. Muitas meninas fazem isso.
      Eu nunca passei por nenhuma dessas duas situações, então recomendo fortemente que pergunte para as meninas nos grupos de Au Pair do Facebook. Eu tenho certeza que alguém lá já passou por isso e poderá te dar mais dicas para ajudar. Boa sorte nessa fase e que o melhor e mais apropriado aconteça para você. 😊

      Curtir

    1. Bom dia, Paola! Infelizmente eu não tenho informações sobre o programa de AuPair na Europa. Você já procurou grupos de AuPair no Facebook? Se não, eu recomendo. As meninas sempre estão trocando ideias e dicas lá, e geralmente são super úteis. Boa sorte na tua busca!

      Curtir

    1. Oi, Adriana! A regra é que a hostfamily providencie três refeições: café da manhã, almoço e janta, mas não existe uma regra que obrigue a família a comprar exatamente o que a Au Pair quer. Se você encontrar uma hostfamily boa, eles com certeza vão perguntar o que você gosta de comer e vão comprar para você. Eu ja vi hostfamily que dava tipo um cartão de crédito com limite para a AuPair comprar o que quisesse no mercado (isso é raro), mas também já vi hostfamily que mantinha o mínimo em casa e ainda marcava a comida que estava na geladeira com o nome deles (também é raro). Por isso, eu recomendo que você pergunte tudo na entrevista com os hosts e não tenha match até que todas as suas dúvidas sejam esclarecidas. Pergunte se eles têm restrição alimentar, com que frequência eles vão ao mercado, se eles cozinham ou comem fora, etc.. se eles tiverem uma AuPair, peça para falar com ela e pergunte a questão de alimentação também. Espero que tenha ajudado. Beijos e boa sorte!

      Curtir

Deixar mensagem para Paola Cancelar resposta