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Treinamento APIA e encontrando a hostfamily pela primeira vez

Nem vou me desculpar por nunca vir aqui, seria muita cara de pau. Além disso, minha motivação maior para escrever neste blog (além de ajudar outras meninas no processo de Au Pair – super fail) era manter um diário virtual para mim mesma, assim eu poderia ler e relembrar os momentos com detalhes no futuro. Então o azar é meu, né? Enfim, cá estou após 5 anos e quase 5 meses desde que embarquei como Au Pair para contar como foi minha primeira semana nos EUA.

Eu embarquei dia 15/06/2015, com cerca de outras vinte meninas. Nós já tínhamos um grupo de embarque formado no WhatsApp onde, além da contagem regressiva, a gente se ajudava desde dúvidas com documentação até questões de presentes pros hosts, malas, desabafos, etc. então éramos praticamente amigas já, só faltava a gente se encontrar pessoalmente. Como sou de Araçatuba, SP, e na época não existia voos direto para GRU, de onde sairia nosso voo para NY, eu tive que voar para Campinas, pedir para um casal de amigos (abraços, Flávia e Rafael) me buscar no aeroporto e me levar para Jundiaí, na casa da Amanda (minha companheira de embarque). Ela e sua família graciosamente me deram carona até GRU. Anjos sem asas, né mores?

Chegando em GRU, a gente começou a identificar as camisetinhas cor-de-rosa da Experimento que tínhamos que usar naquele dia. Fizemos nosso check-in e, assim que todo mundo chegou, já no portão de embarque, tiramos a primeira fotinha do grupo e a última no Brasil.

Meu grupo de embarque em GRU. Todas ansiosas esperando para colocar nossos pézinhos na Terra do Tio Sam.

As únicas coisas que me lembro do momento que chegamos em NY é que a gente não conseguia conectar no Wifi do JFK, alguém teve problema com a mala sendo danificada/atrasada, e demorou um tempão para passar pela imigração. Logo que passamos, porém, um representante da agência estava esperando por nós e pelas meninas que estavam chegando da África do Sul para nos levar ao hotel onde seria o treinamento. Por algum motivo, eu me lembro particularmente de uma moça sul-africana linda, com um cabelão enorme “à la surfista” (e ela era surfista mesmo – eu stalkeei o Instagram dela, hehe) chamada Shannon. Hoje eu me acostumei com o nome, mas me lembro que na época foi motivo de piada entre as brazucas (né, Gabi?) porque a pronúncia é bem próxima de… ah, deixa pra lá!

Uma coisa que eu sempre quis deixar registrado aqui para as meninas que vão para o treinamento da APIA – e, sério, isso é muito importante. Me perdoem meninas que foram antes de ler essa informação -, é: levem blusa de frio!!! Minha nossa, como era frio aquele hotel! Como cheguei lá no verão, tudo o que eu tinha era um moletom e eu passei frio o tempo todo. A comida era boa, mas não podia repetir, então eu passei fome também. Ainda bem que tinha uma CVS ali pertinho; eu sobrevivi os dias do treinamento praticamente à base de chocolate chip cookies.

Como eu ia morar em Dix Hills, Long Island, 1h de trem da city, eu não comprei aquele tour por NY e minha host family também achou desnecessário já que o plano (que nunca aconteceu, aliás) era irmos um dia para a city com as kids. Ainda assim, eu comprei uma passagem de trem com as meninas do treinamento e fui com elas por conta própria no mesmo dia que chegamos na terrinha do Tio Sam. Eu nem dormi! Só para constar, eles deixam a segunda-feira de treinamento apenas para receber as meninas e acomodá-las; o treinamento mesmo começa na terça-feira. Além disso, eles te colocam num quarto com outras duas meninas de outros países, então esquece aquele sonho de fazer festa no quarto com seu grupinho de brasileiras, o negócio é botar seu inglês pra jogo! Eu fiquei com uma sul-africana e uma francesa. Aliás, gente, a mala que a francesa despachou foi extraviada e só chegou no hotel no último dia de treinamento. Fica aqui a dica para levar umas trocas de roupa na sua carry-on, tá?

Minha primeira vez na Times Square – 15/06/2015 – eu não tinha dormido nada no avião. Basicamente deixamos nossas malas no hotel, comemos, e partimos para a city.

Tirando o frio e a fome, o treinamento não foi tão ruim assim, eu achei que passou rápido até. A terça ou quarta-feira a tarde é dedicada para o pessoal fazer aquele tour por NY, então quem não for no tour tem meio dia livre, o que usamos para ir à CVS e tomar umas cervejas no hotel (nem sei se podia, mas a gente tomou). Foi legal rever algumas meninas que tinham embarcado comigo, porque eles nos dividiram em dois grupos e a gente acabava se desencontrando entre uma aula e outra.

Primeira vez numa CVS. Essa aqui era perto do hotel.

O último dia de treinamento, na quinta-feira, foi bittersweet. Ao mesmo tempo que você está ansiosa para conhecer a host family e começar a concretizar as viagens, a experienciar a mudança das estações e tudo mais que você tinha sonhado antes de embarcar, você sabe que provavelmente nunca mais verá a maioria daquelas meninas. Dito e feito.

(Editado 01/12/2020) Aquela foto tradicional: a brasileirada toda reunida com uma bandeira do Brasil no meio e o hotel de fundo, tipicamente tirada no último dia de treinamento.

Eu reencontrei algumas delas durante viagens e até recentemente uma que casou-se, assim como eu (esse babado eu explico mais tarde). Quero deixar o nome delas registrado aqui pra eu não esquecer nunca mais já que elas fizeram parte dessa minha vida louca de intercambista. A primeira que eu reencontrei, cerca de um mês após chegarmos, foi a Carol. Juntas fomos à Boston onde encontramos a Indianara, a Aline e a Claudinha. Mais pra frente reencontrei a Carol (de novo), a Amandinha (a que me deu carona, lembra?) e a Marina no que eu chamo de “a melhor viagem da minha vida” – a tão sonhada road trip na West Coast, começando em Las Vegas, passando pelo Grand Canyon, e depois indo de Los Angeles à São Francisco, parando por todas aquelas must-go praias californianas no caminho. Em algum momento eu também encontrei a Larissa, a Suzane e a Gabi no Central Park. Ah, e encontrei a Amandinha novamente em Chicago!! Go, Bulls! hehe

Voltando ao último dia… todas ficamos esperando nas salas de treinamento. Aos poucos as host-families iam chegando para buscar as Au Pairs. Já as meninas que precisavam pegar vôo, trem ou ônibus para ir à casa da host-family, foram colocadas num ônibus para levá-las aos respectivos lugares. Minha host acabou pedindo para eu ir ao aeroporto La Guardia, que era mais próximo de casa, onde um Uber ia me buscar e me levar para a casa deles. Não foi desfeita nem nada o fato de que eles mandaram um terceiro me buscar. Aconteceu que uma das minhas kids ficou doente, o hosto estava trabalhando e ela cuidando das crianças e ainda fazendo janta para nós. Acabou sendo o jeito mais fácil e eu super entendi. Eu esperei por esse Uber por pelo menos uma hora; sem internet eu já estava começando a ficar preocupada, mas tudo deu certo. No caminho eu pensava “que loucura, o que eu estou fazendo aqui?” e, por algum motivo, eu não me senti impressionada com nada. Sei lá, eu achava que ia achar tudo tão surreal, mas eu estava “de boas”.

Quando eu cheguei na casa da minha family, minha hosta veio me dar um abraço e ficou chocada quando viu que eu tinha apenas uma mala grande. Até eu fico chocada quando lembro disso. rs Eu não lembro ao certo se meu hosto já estava em casa ou se ele chegou logo em seguida, mas eu me lembro de ter sido super bem tratada e de sentarmos à mesa para jantar (ela tinha feito macarrão com almôndegas) e nós conversarmos por um tempão. Uma coisa que eu sempre fui grata é que minha hosta era professora, então a dicção dela era ótima, muito mais fácil de entender ela do que o hosto; por isso às vezes ela repetia o que ele tinha dito. Aliás, foi aí que eu aprendi minha primeira palavra “nas América”: humming; que é, nesse caso, quando a pessoa fala meio que pra dentro, meio arrastado, não muito claro… ela estava dizendo que o marido dela falava assim – super compreendendo o fato de eu entender ela, mas não entender ele. As crianças já estavam dormindo, então eu só encontrei eles no dia seguinte.

Ela me levou para conhecer o meu quarto no basement, e eu acho que nunca vou esquecer o cheirinho do air freshener que tinha lá embaixo, apesar que eu já esqueci de qual marca era. Como eu só tinha uma mala, foi rapidinho pra eu guardar minhas coisas, tomar um banho e dormir.

Ao acordar no outro dia de manhã eu pude ouvir as crianças na cozinha. Uma outra coisa que nunca vou esquecer é a sensação esquisita (constrangedora, eu diria) de ter que subir para dar “good morning” e tomar café com pessoas que eram praticamente desconhecidas para mim, as quais, aliás, eram os donas da casa onde eu agora morava. Eu sinceramente não lembro como foi meu primeiro encontro com as kids, mas deve ter sido awkward, como tudo foi no começo.

Naquela sexta-feira era aniversário de 8 anos da prima das kids e minha hosta, minha kid mais velha e eu fomos buscar a aniversariante para fazer as unhas e depois fomos para a festa de aniversário dela. Foi bem legal e aquela menina era – e ainda é – uma graça! Foi um dia bom, mas eu lembro de me sentir decepcionada com o fato de que ninguém na festa veio falar comigo com curiosidade sobre eu ser de fora. Não sei vocês, mas eu sempre tive uma curiosidade imensa sobre gringos no Brasil. Eu achava fascinante ouvir eles falando outro idioma e descobrir o que fez eles irem fazer intercâmbio lá, ainda mais no interior. Por isso eu achei que ia ser mais fácil me enturmar com americanos, mas não foi, e ainda não é! E olha que tanto os meus hosts quanto a familia deles eram bem legais! Com o tempo nós nos conhecemos melhor, ficamos mais próximos e tal, mas realmente eles não têm aquele calor brasileiro.

No sábado minha host fez uma festa na casa dela e convidou duas Au Pairs que eram amigas da ex-AuPair dela: a Marina (alemã, foi embora 2 semanas mais tarde) e Alessia (italiana, tinha um ano pela frente, e nesse ano ela foi minha melhor amiga). Através delas foi que eu conheci a maioria das minhas amigas Au Pairs aqui, todas da Alemanha, África do Sul, Austrália, etc., o que me forçou a aprender inglês mais rápido. Eu fiz amizades brasileiras também, claro. Eu tinha uma vizinha em Araçatuba que estava morando em uma cidade uns 20min de onde eu estava. Através dela eu fiz outras amigas brasileiras, mas isso tudo, inclusive minhas aventuras com a Alessia, é história para outro(s) post(s).

Uma dica que dou para quem está se preparando para vir é: dê o seu melhor para aprender o máximo que puder de inglês antes de chegar aqui. Meu inglês era razoável, mas ainda assim nos primeiros meses eu ficava boiando nas conversas, não entendia piadas, e me sentia um peixe fora d’água. Por último, aguente firme e viva/se preocupe com um dia de cada vez. Eu achei o início tão difícil que coloquei uma meta de pelo menos completar um mês no intercâmbio antes de decidir se aquilo era pra mim ou não. Foi uma das fases mais difíceis pra mim e muitas vezes eu achei que não ia conseguir, mas eu me esforcei e acabei ficando dois anos (sabe-se lá como). Dois anos cheios de altos e baixos que eu volto depois pra contar a respeito. Xoxo

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