Quase 4 anos após ter terminado meu segundo ano como Au Pair, ainda me pego fazendo essa pergunta de vez em quando. A resposta varia muito dependendo pra quem você pergunta, claro, e confesso que minha opinião sobre o assunto muda toda vez que paro para refletir sobre isso. Contudo, meu veredito final é o seguinte: pra mim todas as pessoas no universo deveriam fazer algum tipo de intercâmbio. Ponto. Na minha opinião, se todo mundo fizesse isso, as pessoas teriam mais respeito, empatia, seriam mais altruístas, mais fortes, haveriam menos guerras, menos brigas e estresse por opiniões diferentes e por aí vai – a lista é longa! Assim sendo, se a única forma que você tem de fazer intercâmbio é através do programa de Au Pair (pelo custo/benefício), como era o meu caso, se joga na experiência! Porém, se você tiver condições de fazer outro tipo de intercâmbio, considere essa opção também. Vou explicar o porquê.
Antes de mais nada, quero deixar claro que eu acredito que todos os programas de intercâmbio têm um lado bom e outro nem tanto. Eu também acredito muito que cada um vai viver a experiência que precisa para sua evolução como ser humano, independentemente do programa que escolher. A minha experiência como Au Pair me ensinou resiliência, paciência, coragem, força, me mostrou que eu posso ser e fazer o que eu quiser nessa vida, me proporcionou fazer viagens incríveis, amizades que levarei para o resto da vida e, de quebra, ainda me deu um marido americano. Coisas que um intercâmbio apenas de estudos provavelmente não me proporcionariam. Por outro lado, eu também ganhei 12kg em seis meses, fiquei mais ansiosa, estressada, arrisco até dizer que também tive uma depressão leve (nunca fui diagnosticada, mas eu tinha uns pensamentos e sintomas muito ruins), minha pele, cabelo e unhas nunca foram tão fracos, comecei a ter azia, enjôo, caspa… até a minha menstruação desregulou todinha.

Eu entendo que um dos fatores que fazem as pessoas escolherem o Au Pair, é o fato de morar na casa de uma hostfamily e ficar totalmente imerso na cultura americana. De fato as chances disso acontecer são grandes, mas vale lembrar que há muitas famílias no programa com descendência latina, européia e até asiática que mantêm os costumes dos seus países de origem e, se você for para uma dessas famílias, você não vai aprender tanto sobre a cultura americana assim. Isso pra mim é o de menos, para ser sincera, porque pelo menos você está no país e vai conhecer a cultura (de outro ângulo, vale ressaltar) de qualquer jeito. O ponto que quero chegar aqui é que pesa muito ter que morar no local de trabalho e ter que lidar com os chefes – e com o trabalho, digo crianças – 24h por dia.
Se você faz ou já fez algum tipo de trabalho com crianças você sabe que tem altos e baixos, né? Até que é divertido às vezes. Agora, pensa fazer esse trabalho por 10h seguidas e, quando acabar, não ter para onde ir a não ser o seu quarto, sob o risco das crianças ainda irem lá bater na sua porta. Não me leve a mal, minhas kids eram muito boas apesar de serem super ativas; além disso meu quarto ficava no porão, então eu tinha mais privacidade, mas eu acho que nunca conheci uma Au Pair que amasse tanto crianças a ponto de não se importar em ter que entretê-las, ou até mesmo simplesmente ouví-las correndo, gritando, rindo e chorando, por tanto tempo.
Outro dia eu estava fazendo uma pesquisa rápida sobre intercâmbios e, quando me deparei com as fotos do programa de Au Pair, eu quase que quis ser Au Pair de novo. Mas já passou, não se preocupe. É claro que na propaganda eles só vão mostrar as coisas boas, mas, minha gente, entenda que o programa de Au Pair é um programa de trabalho! Esse negócio de trabalhar e estudar nos EUA para Au Pairs é balela! Au Pair trabalha MUITO, ganha pouco, sofre preconceito de hostfamily (não foi meu caso), são manipuladas por não terem para onde correr (justamente porque moram com a hostfamily) e tem que pagar de boa samaritana com a criançada – até quando estão off – pra fazer bonitinho para os hostparents mesmo depois deles terem chegado duas horas atrasados, sem nem pagar hora extra. Quase que não sobra tempo (nem dinheiro, nem energia) para curtir a vida, quem dirá estudar! Eu recomendo a leitura desse post aqui, onde falo um pouco mais sobre o que as agências não te falam sobre o programa de Au Pair.
Concluindo, se você está buscando por desafios para crescer, por oportunidades de conhecer pessoas e lugares maravilhosos mesmo passando perrengue, por uma forma prática de aprender inglês e por oportunidades para se conhecer melhor, se impor, se colocar à prova e descobrir do que você é capaz (e o que você não é capaz também, diga-se de passagem), vale muito a pena ser Au Pair. Agora, se você quer ter uma experiência mais leve, focar nos estudos e aproveitar o seu tempo para passear, pesquise outras opções.
No final desse post aqui, eu deixei uma atividade para fazer toda vez que você estiver em dúvida sobre algo, seja lá o que for. Lá também eu falo um pouco mais sobre a melhor idade para ser Au Pair, prós e contras e mais.
Agora me conta, o que você está buscando no seu programa de intercâmbio? Quais são as três metas que você quer atingir durante o seu intercâmbio? Lembre-se que esse texto é a minha perspectiva e longe de mim desencorajar alguém de seguir seus sonhos. Aconteça o que acontecer, pelo bem da humanidade, faça intercâmbio seja lá qual for! xoxo
ola bom dia ,muito interessante seus comentários ,eu sempre sonhei em conhecer ,os Estados Unidos,mais nunca encontrei oportunidade,gostaria de ser cuidadora de idoso ,acompanhante ,de idoso ,não mim identifico muito com crianças ,são lindas .mais gosto mesmo de idosos.muita sorte e felicidades pra você ,abraço
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